Antes de abordar como utilizar a DRE é preciso entender o que é DRE e o contexto em que ela é necessária.

Gerenciar uma empresa requer acompanhamento do desempenho das suas atividades, as quais ao apresentarem desvios de comportamento provocam a necessidade de ajustes por parte dos gestores.

Nesse contexto, na esfera econômica, percebemos que algumas empresas têm dificuldade em mensurar o resultado das suas operações para que tal acompanhamento seja realizado e eventuais medidas corretivas sejam adotadas. É aqui que entra a necessidade de utilizar a DRE, o Demonstrativo de Resultado do Exercício. 

DRE – O que é DRE ?

O demonstrativo de resultado do exercício, DRE, é um demonstrativo contábil internacional obrigatório para determinadas empresas, mas que muitas vezes é utilizado por empresas desobrigadas em razão dos benefícios gerenciais por ela proporcionados. 

A estrutura do Demonstrativo de Resultado do Exercício DRE busca informar o resultado econômico auferido com a operação empresarial em determinado período, em outras palavras, se a empresa gerou lucro ou prejuízo.  Em ambos os casos, por meio de indicadores é possível verificar a causa destes resultados. Se um aumento abrupto das vendas gerou o lucro ou uma redução significativa de algum gasto que foi o responsável. 

Este demonstrativo, DRE, é baseado no regime de competência, não importando recebimentos ou pagamentos que efetivamente afetam o caixa da empresa, mas sim o total de entradas e saídas, presentes e futuras, geradas pela operação ocorrida em determinado período.

Aprofundando, basicamente a DRE trabalha o conceito de Receita – Gastos = Resultado, levando em consideração o quanto foi vendido, considerado receita, deduzido do quanto foi gasto para tais vendas acontecerem no período, considerado custo ou despesa. Só assim, é possível saber se no momento em análise a empresa funcionou de forma eficiente ou não, se os resultados da sua atividade foram positivos ou negativos.

Por exemplo, uma venda a prazo, em julho, no valor de R$ 10.000, dos quais R$ 5.000 são recebidos em agosto e R$ 5.000 em setembro constituem receita de R$ 10.000 do mês de julho. Se os custos e despesas incorridos em julho para essa receita são de R$ 4.000, auferimos lucro de R$ 6.000 neste mês. Assim, sabemos que nossa operação de julho foi boa, resultando em lucro, muito embora este valor ainda não esteja em caixa neste mês.

É importante entender que tanto o regime de competência acima explicada, quanto o regime de caixa, que leva em consideração entradas e saídas financeiras de caixa da empresa, são complementares. 

A título de ilustração do regime de caixa, com base no exemplo anterior, ao passo que pelo regime de competência R$ 10.000 foi a receita de julho, pelo regime de caixa, o mês de julho apresentou R$ 0 de recebimentos, mas agosto e setembro apresentaram R$ 5000, cada. Esta avaliação de caixa é feita por outros tipos de relatórios e demonstrativos, baseados na análise do fluxo de caixa. 

Perceba que considerar os R$ 5000 recebidos em agosto referentes à competência de julho como receitas de agosto poderia camuflar os resultados da empresa, dificultando o acompanhamento do desempenho das operações, a detecção de problemas e suas eventuais correções.

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A seguir apresentamos a estrutura de DRE Gerencial adotada pela PRIUX.

Estrutura de DRE Gerencial adotada pela PRIUX.

A . ( = ) Receita Total
B.  (-) Impostos Adicionados
C.  ( = ) Receita Bruta 
D. (-) Deduções
E. (=) Receita Líquida
F. (-) Custos
G. (=) Lucro Bruto 
H. (-) Despesas
I. (=)EBITDA
J. (-) Depreciação e  Amortização
K. (=)EBIT
L. (-) Resultado Financeiro
M. (=) LAIR
N. (-)  Provisão IR/CSLL
O. (=) Resultado Líquido 

Breves considerações sobre a estrutura apresentada:

A) (=) RECEITA TOTAL -> É todo o faturamento da empresa em um determinado período (com IPI e com ST).

B) (–) IMPOSTOS ADICIONADOS -> São os lançamentos dos impostos IPI e ST adicionados nas vendas. Impostos calculados por fora.

C) (=) RECEITA BRUTA -> É o resultado de A-B, ou seja, RECEITA TOTAL-IMPOSTOS ADICIONADOS

D) (–) DEDUÇÕES -> São todos os lançamentos de todas as deduções das vendas como Icms, Pis, Cofins, Simples Nacional, devoluções, créditos de impostos das devoluções, bonificações.

E) (=) RECEITA LIQUIDA é o resultado de C-D, ou seja RECEITA BRUTA – DEDUÇÕES

F) (–) CUSTOS -> são os gastos com compra de mercadoria a ser vendida ou os gastos incorridos para a produção. 

O Custo na DRE é conhecido como CMV (custo da mercadoria vendida). É o valor que foi lançado como custo da mercadoria que foi vendida. 

Atenção: Perceba que se comprei R$ 8000 correspondentes a 100 peças de um fornecedor em junho – regime de caixa – e vendi 5 peças em julho, o CMV de julho relativo às 5 peças vendidas é de R$ 400 – regime de competência. 

Compõem o CMV os custos como impostos não recuperáveis no momento da venda, como imposto de importação em caso de importação. 

É necessário estudar caso a caso qual o CMV adequado da sua empresa.

G) (=) LUCRO BRUTO -> É o resultado de E-F, ou seja. RECEITA LIQUIDA-CUSTOS.

H) (–) DESPESAS -> São os demais gastos não relacionados a custo que ocorreram para a obtenção das receitas. São exemplos:

DESPESAS DE VENDA (comissões, bonificações, etc) / MARKETING / GERAIS / ADMINISTRATIVAS / DIRETORIA / FOLHA / LOGISTICA / OUTROS IMPOSTOS (IPTU,TAXAS) / DESPESAS OPERACIONAIS / NÃO OPERACIONAIS / outras…

I) (=) EBITIDA -> É o LUCRO da sua operação comercial, antes das taxas, depreciações e amortizações. (EBITIDA = Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization).

J) (–) DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO -> São os lançamentos das DEPRECIAÇÕES e da AMORTIZAÇÕES.

K) (=) EBIT -> É o resultado de I-J, ou seja EBITIDA-(DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO)

L) (–) RESULTADO FINANCEIRO -> São os lançamentos de RECEITA FINANCEIRA e DESPESAS FINANCEIRAS.

M) (=) LAIR -> É o lucro antes do IMPOSTO DE RENDA, é o resultado de K-L, ou seja, EBIT-RESULTADO FINANCEIRO. 

N) (–) PROVISÃO IR/CSLL -> São os lançamentos do IR e da CSLL.

O) (=) RESULTADO LÍQUIDO -> É o resultado de M-N, ou seja do LAIR-IR e CSLL.

DRE – Como utilizar a DRE?

Análises, acompanhamento e gestão

Para acompanhamento e gestão das atividades empresariais é possível utilizar ferramentas de análise como indicadores e análises verticais e horizontais a fim de detectar fatores de desvios, responsáveis pelo resultado.

Destacamos aqui as análises verticais e horizontais, que nada mais são que comparações. Comparações de valores atuais com valores de períodos anteriores, no caso da análise horizontal, ou comparação de valores atuais em relação a outros valores atuais, no caso da análise vertical.

Dessa forma, conseguimos saber que o lucro de julho aumentou 10% em relação ao de junho, mas caiu 15% em relação ao lucro de julho do ano anterior ou, ainda, que este lucro de julho corresponde a 5% das receitas líquidas do mesmo mês.

Como foi dito anteriormente, a DRE apresenta uma visão econômica da sua operação, apontando basicamente se ela está sendo eficiente e gerando resultados satisfatórios. Com uso de análises, seu monitoramento deve ser levado a sério, constituindo-se uma poderosa ferramenta de gestão empresarial.